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Na
primavera de 1984, um grupo de cristãos itaunenses resolveu abraçar
a causa dos presos. Reunidos no quintal da antiga casa paroquial de Sant’Ana,
alguns homens e mulheres de forte personalidade e ideal cristão,
fundaram a Pastoral Penitenciária de Itaúna. Pe. José
Ferreira Neto, Pe. Luis Carlos Amorim, Odília, Daisy Melo, Dr.
Inácio Campos, Marco elísio, Valdeci, Valéria, Márcia
Custódia... e tantos e tantas que, através da doação
de suas vidas, tornaram possível a concretização
do preceito evangélico: “Eu estava preso e você me
visitou”. (Mt. 25, 36).
____ Com
o tempo, aqueles cristãos, diante das dificuldades que se apresentaram
em seus caminhos, sentiram a necessidade de encontrar uma metodologia
pastoral que fosse capaz de reverter os alarmantes índices de reincidência,
que na época atingiam números astronômicos, na ordem
de 84%. A solução para o problema foi encontrada na cidade
paulista de São José dos Campos, cuja experiência
e trabalho, além de reduzir a 5% o índice de reincidência,
reduziu praticamente a zero os índices de violência e fugas
no presídio.

____ Ao
longo de vários anos, outra não foi a tarefa da APAC de
Itaúna, senão aquela de adaptar à realidade itaunense
o método pioneiro e revolucionário de recuperação
de presos realizado em São José dos Campos.
____ Durante
os primeiros anos, tal iniciativa visava melhorar as condições
físicas da cadeia e ao mesmo tempo levar o conforto espiritual
para os presos e suas famílias. Como toda obra de Deus é
marcada pelas perseguições, a APAC de Itaúna não
poderia isentar-se disto. Não faltaram discriminações,
calúnias, processos e dificuldades de toda sorte.
____ Também
não faltaram magnânimos defensores, como os juízes,
Dr. Paulo Antônio de Carvalho e Dr. Ivo Nogueira, além do
Bispo diocesano, Dom José Belvino do Nascimento e tantos outros.
____ Concomitantemente,
a APAC buscava construir o seu espaço de trabalho através
da construção do Centro de Reintegração Social,
única forma de romper com o sistema, tão viciado e repleto
de mazelas, que tudo fazia para obstruir as atividades desenvolvidas pela
APAC na cadeia pública.
____ Neste
sentido, o Judiciário sempre prestou apoio e colaboração.
Após o término da primeira fase de construção
do Centro, os juízes com o apoio do Ministério Público,
tendo naquela época, à frente da Promotoria Criminal o grande
amigo e idealista, Dr. Franklin Higino Caldeira, entregaram as chaves
à APAC, através de portaria, a administração
dos regimes semi-aberto e aberto.
____ Mas
a história não terminaria assim. Um novo capítulo
seria escrito quando da rebelião na cadeia pública. Em 26
de outubro de 1995, 69 presos se amotinaram e destruíram totalmente
as celas em menos de dez minutos. Contornada a rebelião, felizmente
sem que houvesse nenhum ferido, e como a cadeia não oferecia condições
de abrigar nenhum preso, foram todos transferidos para treze Comarcas
próximas, sob condição de ali permanecerem por, no
máximo, trinta dias. A APAC aparecia no cenário como única
saída do problema, oportunidade em que o Judiciário após
trinta dias, com os devidos ajustes no Centro de Reintegração
Social confiou à entidade os três regimes de cumprimento
de pena, passando a ser a segunda experiência no país a cuidar
da recuperação de presos sem o concurso da polícia.
____ Ocorre
que as instalações físicas do prédio ficaram
pequenas para tudo isto. Alguma coisa deveria ser feita, no sentido de
buscar uma solução. Nascia, assim, o “SOS Cidadania”.
SOS
CIDADANIA
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Em
07 de dezembro de 1995, aconteceu, no Fórum de Itaúna, uma
reunião convocada pelo Dr. Paulo Antônio de Carvalho. Ali
tinha início, sob a presidência do Dr. Tarcísio Cardoso,
o SOS Cidadania.
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Estavam presentes os representantes de todos os segmentos da sociedade
itaunense, entre eles, a APAC, que desde aquele momento tinha assumido
a tarefa de empenhar-se para que fosse construído o novo Centro
de Reintegração Social. Na oportunidade, a Entidade fez
a primeira doação no valor de R$ 2.000,00, como forma de
incentivar a campanha.
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Em 14 de dezembro, o movimento era irreversível. A Prefeitura Municipal
de Itaúna destinou uma verba de R$ 50.000,00 à APAC, para
ser aplicada na construção. Na mesma época, dá-se
o lançamento da campanha “Doe 1 Real”. Esta campanha
foi a maior demonstração de solidariedade que se teve. O
apelo foi feito de porta em porta, nas igrejas católicas e evangélicas,
nos clubes, nos bairros, escolas e etc.
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Dentre as muitas ações desenvolvidas, outra de muito amor,
foi a dos “cofrinhos”. Na realidade, foram centenas de vidros
de maionese, distribuídos nas lojas e supermercados, solicitando
às pessoas que doassem o troco das compras para o “SOS Cidadania”.
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Os
comerciantes de material de construção colaboraram. As indústrias
faziam doações em dinheiro e matérias. Finalmente,
uma doação de um lote, feita pela “Marco XX Construções
LTDA”, muda novamente os ânimos. O lote foi rifado. A rifa
rendeu R$ 13.670,00, mas o bilhete premiado não foi vendido e o
lote reverteu para a campanha. Posteriormente levado a leilão,
rendeu mais R$ 4.080,00.
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A construção foi facilitada com a liberação
de uma verba de R$ 90.000,00 pelo Governo do Estado de Minas Gerais, através
do Deputado Francisco Ramalho. Ao final, foram gastos R$ 232.000,00. A
Prefeitura Municipal de Itaúna fez todos sos serviços de
terraplenagem e limpeza. Os recuperandos da APAC participaram nos trabalhos
de construção.
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Enfim, a sociedade itaunense demonstrou que, quando se quer, se faz.
ENTREGA
DAS CHAVES
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Em
22 de julho de 1997, a inauguração do novo Centro de Reintegração
Social aconteceu.
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Na oportunidade, realizou-se uma celebração eucarística
presidida pelo Pe. Amarildo José de Melo, um dos grandes responsáveis
para o êxito do empreendimento, concelebrada pelos demais padres
da cidade, além de contar com a presença de pastores evangélicos.
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Durante
a homilia, Pe. Amarildo pediu a uma criança presente que, em nome
de toda a comunidade, entregasse as chaves do prédio as Sr. Tarcísio
Cardoso (Presidente do SOS Cidadania). Este, após discurso emocionante
e esclarecedor de todas as etapas da construção do prédio,
passou as chaves para o Dr. Paulo Antônio de Carvalho (Diretor do
Fórum e Juiz das Execuções). Este, por sua vez, ressaltou
que não poderia ficar com as chaves por não ter competência
jurídica para administrar o Centro de Reintegração
Social, nem experiência no trabalho com os recuperandos. Por isso,
passou as chaves para a Presidente da APAC, Drª Josete Saldanha.
APAC
FEMININA
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Após
vários anos de experiência na administração
de presídios masculinos, a direção da APAC de conformidade
com o Poder Judiciário local decidiu que era o momento de iniciar
uma experiência com as sentenciadas da Comarca que permanecia cumprindo
pena em um das celas da Cadeia Pública local. Após a aceitação
unânime dos voluntários da APAC, sobretudo das mulheres que
seriam as responsáveis pela administração da APAC
feminina, foi inaugurada em 26 de julho de 2002, o antigo prédio
onde funcionava a APAC masculina, começou a abrigar cinco recuperandas.
Atualmente ali são aplicados os três regimes de cumprimento
de pena, onde as chaves permanecem nas mãos das recuperandas.
APAC
HOJE
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É
uma entidade civil, sem fins lucrativos, com personalidade jurídica
própria, que tem por finalidade Recuperar o Preso, Proteger a Sociedade,
Socorrer a Vítima e Promover a Justiça, e como filosofia
Matar o Criminoso e Salvar o Homem.

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Desde então, a APAC de Itaúna funciona em um prédio
próprio, administrando os três regimes de cumprimento de
pena: fechado, semi-aberto e aberto, sem a presença de policiais
militares, civis, ou de agentes penitenciários. Com um índice
de reincidência inferior a 10%, enquanto que no restante do país
é de aproximadamente 80%, a APAC de Itaúna tornou-se referência
a nível nacional e internacional, no tocante à recuperação
de presidiários. Recebe constantemente delegações
de visitantes de todo o Brasil, e de outras partes do mundo, interessados
em levar o Método APAC para suas Comarcas.
Atualmente a APAC de Itaúna administra 02 unidades prisionais (masculina
e feminina), totalizando 130 recuperandos.
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A APAC é filiada à PFI – Prison Fellowship International,
órgão consultivo da ONU para assuntos penitenciários,
e à FBAC – Fraternidade Brasileira de Assistência aos
Condenados, entidade que congrega, fiscaliza e dá suporte a todas
as APACs do país.
Importante salientar que nunca registraram-se rebeliões, atos extremos
de violência ou de morte, e que há mais de 02 (dois) anos
não ocorre nenhuma fuga do regime fechado da entidade.
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