Quando me perguntaram qual era minha motivação
ao abraçar a causa da APAC, não tive dúvida
em responder: A APAC é o método prisional do futuro
no Brasil. Administro uma siderúrgica em Itaúna – Ferguminas
Siderurgia – e sou sempre tocado por motivações
e esperanças futuras. Da mesma forma que vejo o ferro gusa
como uma agro indústria de base que trará grandes
reservas de capital para o país, a APAC é uma metodologia
incubada por brasileiros que se importam com o ser humano e servirá de
exemplo para o mundo. Muitas pessoas em Itaúna não
sabem que vivem ao lado de uma promessa de solução
para grande parte dos problemas da desigualdade social no Brasil.
Após rebeliões no presídio de São José dos
Campos, o ILMO.DR. Mário Ottoboni deu os primeiros passos
na criação do Método. Infelizmente , a APAC
de São José, não prosperou e a unidade de
Itaúna passou a ser modelo mundial. Alguns não sabem
o que a APAC já tem atingido e por não conhecerem
o trabalho, chegam a rotulá-la como casa que dá “moleza” aos
condenados. Realmente, os recuperandos que nela cumprem pena recebem
alimentação, educação e moradia dignas
de ser humano. Além do mais, eles podem trabalhar em atividades
desenvolvidas na instituição. Porém esta “moleza”,
que é atribuída ao método, resulta em um índice
de reincidência de 05 a 10%, enquanto a média nacional
gira em torno de 80%. Isso sem falar na enorme economia aos cofres
públicos, uma vez que as penitenciárias gastam mais
de R$1.500,00 com cada preso por mês, enquanto a APAC precisa
somente de R$530,00.
A APAC de Itaúna era a única há 08 anos atrás.
Através do trabalho árduo de muitas pessoas que acreditaram
no método como meu amigo Valdeci , hoje são mais
de 25 APACs no Brasil e 15 unidades em outros países, totalizando
mais de 1000 recuperandos ajudados pelo sistema. O que é mais
surpreendente é que 44 novas APACs estão em fase
de construção com a estimativa de até o meio
de 2010 termos 2000 pessoas cumprindo pena dentro dos CRS (Centro
de Reintegração Social), nos moldes da metodologia.
Há algum tempo, foi criada a FBAC (Fraternidade Brasileira
de Assistência aos Condenados), que se encarrega de fiscalizar
todas as APACs no Brasil e no exterior. Este rápido crescimento
que experimentamos nos últimos anos requer um grande cuidado
para manter a qualidade do trabalho. Somos exemplo para a Prison
Fellowship International que é a maior Instituição
Mundial envolvida em assuntos penitenciários. Ela nos patrocina
para o desenvolvimento da metodologia fora do Brasil e acredita
que podemos resolver alguns problemas em países mais pobres
da África e Ásia.
Estamos hoje com 150 recuperandos divididos em regime aberto, semi-aberto
e fechado. Contamos com ajuda dos próprios recuperandos,
funcionários e voluntários para seguirmos a caminhada.
Envolvi-me com a APAC em 2004 , como voluntário . Hoje ,
como presidente , me sinto muito gratificado pelos resultados alcançados
. Quem sabe você pode nos ajudar a plantar essa semente?
Estaremos de porta e coração abertos. E lembre-se: “as
coisas só fazem sentido quando nós as conhecemos
de perto”.
Gustavo Salazar Botelho
Presidente da APAC de Itaúna